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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

TOY RUN - Um RIO de motos. Florida - Dezembro

Foi difícil me acostumar com este nome. As pessoas falavam e eu não entendia. Toy run? Não dá para entender realmente quando pêgo de surpresa.
Mas fui. Nem comprar presente sabia que era obrigatório. Soube às 7h da manhã no nosso primeiro ponto de encontro em Hallandale. O Presidente me encontrou na I-95 e fomos juntos. Parado ali, na cabeceira da pista, vi como é assustador a velocidade dos carros. Quando você está estático, os carros passam como se fossem munições disparadas em busca de um alvo. É realmente uma arma, talvez até a sua munição. Imaginei que com a moto não seria diferente, talvez até pior, pois em velocidade desenvolvida daquele jeito, a blindagem da bala é seu corpo, e aí amigo, explode tudo junto. Portanto, muito cuidado ao utilizar um veículo, qualquer um deles.
Chegamos no primeiro encontro. Com um café na mão, no posto esperando pelos colegas, aparece uma árvore de Natal móvel. Era Aldo e Claudia enfeitados até a orelha! Ri, tirei foto, e fui comprar um presente para a caridade.

Pegamos mais uma estrada e fomos encontrar o restante para o séquito que viria. Apesar de estarmos em três motos, as que surgiam ao longo do caminho, juntavam-se, nos seguindo. Foi de arrepiar a imagem que tive do meu retrovisor. A cada entrada na Estrada, motos e mais motos surgiam, nos acompanhavam ou paravam e esperavam pelos parceiros nas laterais da estrada.
No Segundo destino, Rogerio e Luciene já estavam contando o troco de sua conta quando chegamos. Já tínhamos boa parte do grupo presente e alguns já alimentados. Partimos pra cima de um café da manhã, que vou te contar. Aldo compartilhando da mesma preocupação que o cronista. Como será que vai cooperar nosso intestino daqui a pouco? Quis algo leve. Acabei num ovo benedict soberbo. Aldo atropelou o receio: Não esqueça dos bacons no meu prato, ordenou à garçonete que atrás de mim, anotava as ordens. Vixe…olhei pra ele, e parabenizei-o pela coragem, afinal ficaríamos horas e horas a fio, em cima de nossas motos.

Societes chegando, mesas ocupadas por vários grupos, alegria, risos e felicidade geral. Quem estava ali, mesmo que madrugando tinha um ideal definido. Caridade, encontro com amigos e suas motos. Num breve pensamento, enxerguei o que é esta paixão. A alegria de quem veste um colete de couro e parte para uma aventura, é corpulenta, volumosa, sinônimos que caracterizam bem seus praticantes.
O Presidente, Aldo, Claudia e eu, numa mesa. Baiano com suas mulheres chega logo, e com um detalhe em sua camisa confundido com baba de cachorro, faz a conversa derivar segredos agora então descortinados. Momento hilário. Sua chegada merece um tempo aqui. Uma de suas belas, Sarinha, tomou conta da concentração. Com sua corda toda acionada, não parava um minuto e fazia da mesa, seu play-ground enchendo de alegria a todos. Prato quebrado era parte de seu espetáculo. De resto fica aqui registrado minha total simpatia de ver uma mulher ir na concentração dos societies com sua filha linda pra o regozijo de todos.
Café tomado, vamos a formação. Motos ligadas, saímos das vagas, posamos para fotos e seguimos para o Segundo comboio. O primeiro foi pouco antes de chegarmos ao restaurante. Fomos a segunda concentração, já num gigantesco estacionamento, nos formatamos em fila unica para não nos dispersarmos.
Horas em pé e papos em dia, vejo que Donatela e Gonçalo puxam as conversas no portugues que se ouvia a cada virada de minha caminhada. Não eram somente os Societies que estavam lá. Brazucas diversos e com sotaques regionais definidos, espalhavam-se a vontade nas formações das filas.

Num palco pequeno, Elvis fazia a alegria dos saudosos e trazia a desconfianca de quem ainda acredita que o Rei está vivo. O sujeito era realmente parecido. Voz então nem se fala. Depois de fotos e conversas sobre todos assuntos possíveis, escuto o ronco dos motores. Noto ao fundo do mar de volantes, o deslocamento inicial para o tão falado desfile.




Vejo que ninguém se mexe, claro, são tantas que até chegar as nossas vai demorar ainda dezenas de minutos. Daí, vê-se a dimensão do mar de metal de duas rodas.
Chega a nossa vez, ligamos, aceleramos e saímos em fila escolar. Logo pegamos as ruas e já vimos pessoas nas calçadas, fazendo daquilo, sua atração do domingo.



Éramos o show, eles nossos espectadores. Simbiose entre artista e platéia. Todos acenam, alguns em exagero. Entramos na via expressa e minha visão assiste a um rio, uma plantação de cana de motos, onde o horizonte não se define direito.

Desta forma, vejo a dimensão de tal evento, e para cada moto, um presente e um valor em dinheiro que vai fazer muitas crianças um pouco mais felizes neste Natal. Me sinto feliz por isso. Depois de meia hora, o marasmo da reta em pouca velocidade é suficiente para atrair ao sono. Tento tudo, inclusive me divertir com a moto que estava a minha frente, com um casal que não conseguia se alinhar. A garupa, estava sentada torta e a esquerda do assento, desequilibrando o motorista que sem capacete, mostrava seu amadorismo em pilotar uma máquina que parecia uma mobilete. Pergunto ao Aldo ao meu lado que moto era? Ele avança, emparelha, reduz a velocidade e me diz que é um Sportster de 800cc. Me dou conta de como este mundo paralelo evoluiu. Oitocentas cilindradas seria a moto mais pesada e audaciosa de todos da minha cidade na época que me iniciava nas duas rodas. Hoje, aquém de minha expectativa.
Estamos juntos, troca-se de posições quando se pode acelerar um pouco mais, porém, sempre seguindo juntos.

O grupo mostra sensata preocupação com o tema união. Isso admito, foi algo que me conquistou nos Societes da moto. O lema, se vamos juntos vamos bem, é ótimo, impactante, convincente pela própria sobriedade do tema porém algo paira no ar do retorno. O retorno é algo que não deixa dúvidas. Precisa ser debatido. E muito! Afinal de contas, um passeio tão esperado, demorado e longe, nao pode ser esvaziado com tamanho rapidez pelo grupo. Por que a volta sempre dá uma volta no grupo? No final, ficam dois remanescentes a procura dos fantasmas.
Perestroica do retorno. Política que deve ser debatida com entusiasmo e perenidade em breve.
Mas a festa é boa a valer.
A começar pelo carimbo na mão, uma estrela coincidente do meu Botafogo. A festa era realmente grandiosa como exaltaram. O lugar enorme, tanto quanto sua organização. Dois palcos com shows incríveis. De Nashville a Londres, o roteiro sonoro agradava a todos os gostos. Português ouvido em abundância. Mas também, alemão, japonês, russo, italiano e por aí vai. Parece que este evento já fala várias línguas. Uma rastaqueira com seu corpo nu pintado de vermelho e branco chamava a atenção por sua desinibida atuação.
Pausa para foto, congela-se em uma postura intacta com tal cena registrada para a posteridade.
Barracas de comidas nos quatro cantos para os aventureiros. Se rodamos com coragem nossas máquinas ferozes, por que não comer um quitute preparado sem passado? Vou a um pão recheado de carne de Barbeque de porco. Presidente não quer arriscar e traça um hot-dog com uma salchisa realmente apetitosa. Meus dois olhos se separaram. Um vai para o meu sanduíche e o outro para do presidente.

Ao final do meu, vou separando minhas notas e me vejo já, em pé, escolhendo uma salsicha bem passada para o atendente, que com uma luva, segurava o pão e o dinheiro. Pedi que mudasse a luva antes de pegar um outro pão. Afinal, não queria virose nenhuma atrapalhando minha digestão.
Barriga cheia, lembramos de nossos amigos. Rádio mudo, único que atende nosso chamado é Luiz. Kd vc, pergutamos. Em casa.
Sentamos, para fazer digestão assistindo ao show de música country, genuína de Nashville.

A longa caminhada cataliza o processo digestivo. Nos entregamos a uma cadeira de massagem, afinal, teríamos uma bela jornada pela frente, em estradas rápidas com somente dois homens em suas motos desfraldando seus coletes de um emblema só.
Dois últimos sobreviventes da tropa de elite. Os outros se foram, ainda que para suas casas, a sensação é de perda. Se tivéssemos deixado o roteiro da volta no aviandalho, teríamos talvez um verdadeiro comboio do grupo, pensei acelerando.
E na solidão da motocicleta, refletimos. Pensei no que era ter vivenciado aquilo.
Questiono. Fiz caber meu sonho no dia, porque se o tempo passa, você deixa de saber o que é o feio e o bonito em sua volta. Eu vejo o bonito. E isso me dá uma alegria enorme.
Mais uma aventura de pista. Mais uma experiência. Mais um substrato para a enzima que é a paixão da moto.
Qual é o próximo passeio?
Grande abraço a todos!

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