Leesburg é uma festa e uma cidade linda. Seus inúmeros lagos denotam a qualidade de vida que faz desta cidade um destino final para grande parte de sua população. Uma cidade basicamente formada por idosos que ali encontram o repouso merecido. Seus visitantes sao os familiares destes aposentados e, junto a calmaria dos lagos e ruas bucólicas, assistem o tempo passar com tranquilidade. Tranquilidade? Nem sempre. Familiares ? Uma vez por ano, sim, intrusos? Também! Há exatos nove anos, essa paz deixa de existir uma vez ao ano, provavelmente levando seus residentes a loucura total, com o frenesi das milhares de motos no evento Bike Fest. Alguns gostam bastante pois a receita gerada com a “venda” de bebidas, comidas, artesanatos e vagas a cinco dólares as motos e dez dólares os carros, num mar de duas rodas, fazem com que sua receita aumentem os sorrisos dos velhinhos de plantão. Outros, devem ter uma raiva avassaladora pois o barulho, a confusão, as figuras exóticas e as ruas invadidas por barulhos ensurdecedores tornam aquilo ali, a capital do inferno beleza por alguns dias..
Interessante é ver a chegada a cidade. Motos e motociclistas de varias tribos. Como índios, existem os mais tradicionais, os mais selvagens e os já domesticados pela sociedade. Eu me encaixo nesta última descrição. Passo e passam por mim, figuras de filmes. Estereótipo definido e os nem tanto. Sinceramente, na estrada, um fantasma, raquítico e completamente tatuado passou ao meu lado, com seu rosto resumido a pele e osso, e os braços, dois paus, com uma camada fina sobre os ossos, coberto por uma álbum de figurinhas. Não pude resistir e olhando aquilo, comentei com um amigo que veio do Brasil, porém é italiano, o que nos esperava. Ele sorriu e estava completamente entusiasmado pois estava entrando num filme. O da vida real onde a arte imita a vida ou será que a vida imita a arte? O italiano, pisava nesta terra pela primeira vez, e oriundo do velho continente, achava tudo maravilhoso. No meu carro, sim, não fui de moto desta vez, pois sua visita me custou este fardo, fui chegando e o restante do grupo lá, já estava. Fui direto ao encontro dos societies, tomando um café da manhã, no Crate Barrel, restaurante típico de roça, voltado aos quitutes americanos do café matinal. Ovos, presunto e batata roesti foi inevitável. Valeu a pena, gosto das manhãs em cidade interioranas do Tio Sam. É o mesmo que comer uma feijoada num restaurante mineiro. O gosto é característico. Saimos, hotel, troca de indumentária e lá estava eu, de colete num conversível que ao menos, dividia o mesmo vento com meus colegas de outrora e sempre. A chegada é aquela sensação que por mais que você se acostume com as festas a que presenciamos, não nos acostumamos, Essa é a verdade. Não se pode ficar incólume ao ver mais de 100 mil motos num mesmo lugar. Isso é incrível. E cada uma mais diferente que a outra, assim como os homens que tem dois olhos um nariz e uma boca, e não são iguais, uns aos outros. Somos completamente diferentes, e isso que é a graça.
Bom, claro que o engarrafamento ao chegarmos é enorme. O jeito: chegar cedo o bastante com sua moto para estacionar na avenida principal. Caminhe pelas calçadas e aproveite para ver as inúmeras barracas com todo tipo de bugingangas sendo vendidas. Ande no meio da calçada lotada e acostume-se com varias bundas suadas que vemos ao longo do caminho. Comprar uma camisa do evento? Porque não? Levamos várias imagens em nossas mentes, em nosso próprio Livro de Memórias pessoal, sem precisarmos de uma camiseta para lembrarmos disto, porém ainda me pego num impulso e estou ali, escolhendo modelo, cor e tamanho de uma camisa que talvez nem use. Aliás, tamanho nestas camisas é algo a conferir com cuidado pois o modelo padrão de usuários fogem completamente do normal. Barriga pequena neste mundo éh algo quase que tosco. Seria, digamos, o esquisito da turma. Parte da turma vai embora e eu fiquei com o marinheiro de primeira da terra do ravioli. Estamos chegando num Concurso de Bikini e começamos a esquentar.Todos querem ver o que e como estas garotas fazem para se superar. E antes que alguém tente se escandalizar, esqueça pois não podemos ir de encontro a mais de sessenta anos de tradição e cultura na terra do Tio Sam. Portanto, relaxe e aproveite o show.
Aproveitar as quarentas bandas em cinco palcos diferentes, sim, parece perfeito mas impossivel de se conseguir. De qualquer forma para quem frequenta estas festas, essas mesmas bandas, serão vistas com calma em outros eventos pelo ano. O show mais esperado era do Great White no palco principal. Estava lá e assisti tudo. Apesar de não gostar de música pesada, fui verificar o porque de tanto assédio e fiquei contaminado pela performance. O show é muito bom, mesmo!
Alguns outros shows acontecem e simultaneamente, fazendo com que tenhamos que escolher o que assistir. Tem todo tipo de show e um em particular onde a turma vende DVDs para pilotagem perfeita e dão seus shows fantásticos como parte da ferramenta de venda. Tenho certeza que perdi alguns interessantes como os cachorros K-9 e o do Rhett Roteen na arena da morte, que dizem, sabe entreter uma plateia como ninguém. Um bar obrigatório chama-se Big Dog Salon onde acontece festas o tempo todo e as garçonetes atuam como digamos, stripers meio comportadas, pois não chegam a ficar sem suas já minúsculas roupas.
Os preços da cerveja, drinques e comidas são caras. Entendo que custe muito dinheiro para trazer inúmeros shows, montar palcos grandes e organizar tal evento e que organizações beneficentes se beneficiem com os lucros mas a turma reclama disso, viu? Quatro bucks para um chope morno não é bem o que todos ali querem. Escuto reclamações frequentes.
Ano que vem com cerveja quente ou não, estaremos lá. Aproveitando a festa, e suas pessoas exóticas. Afinal, Não é para isso que você tem uma motocicleta? Sim!! Porque você ama rodar. Mas não esqueça, ande com segurança. E tire a chave de quem bebe um pouco mais. E assim,aproveitar sempre estas festas com seus amigos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente aqui!